A necessidade de estudar e perceber um elemento natural é, sem dúvida alguma, fascinante. O Sol do Marmeleiro, é um elemento cinematográfico que representa, na minha opinião, de uma forma (embora por vezes relativamente entediante) comovente.
Inspirado na vida real do artista plástico espanhol Antonio Lopez (algumas das obras do autor: http://composicionnumero1.blogspot.pt/2011/06/trabajando-con-antonio-lopez.html), este documentário ilustra, na perfeição, a paciência e a vontade artística de um pintor que apenas pensa no seu marmeleiro, e em pintá-lo. Em conhecê-lo. A ele e às luzes que o atravessam.
O pintor pede a Victor Erice para documentar o tempo que dedica ao seu grandioso marmeleiro. Constrói-se um aparelho de olhar, de modo a que a percepção das perspetivas, das luzes, das formas reais, das cores e das sombras não seja minimamente incorreta (o que indica que o desenho do pintor será, decerto, um desenho do real, de observação): dá umas pinceladas no tronco, coloca umas cordas aqui e ali e afinca pregos no chão para posicionar o cavalete. Enquadramento tratado. A conclusão da obra não se dá. O outono, ladrão de cores, rouba-as ao pintor, fazendo-o mudar de projeto e começara a pintar em tons de escala de cinza (projeto este que não é, de igual modo, concluído). A meteorologia não permite, de todo, o trabalho do pintor diretamente do elemento da natureza.
O Sol do Marmeleiro documenta a pintura que não se concluiu e, por essa mesma razão, reafirma que num filme o que se vê não ºe a reprodução do que o realizador viu, mas sim o que o realizador vê. Porém, talvez seja permitido dizer que o diretor diante do artista, vê e capta da mesma maneira que um espectador capta e visualiza um documentário que lhe é posto diante dos olhos.
Esta fusão entre cinema e pintura, traz um certo equilíbrio ao documentário, que é, devo dizer, um daqueles que se deve guardar para a vida.

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