Nous Sommes Charlie!, mas será que somos?

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Como poderei desenhar hoje? Calma, não. Como poderei não desenhar hoje?




A frustração e revolta que se apresentam em mim de momento leva-me a comentar o ato desumano, ocorrido em Paris, no passado dia 7 de janeiro.

Quando uma realidade deste tipo cai sobre nós (e com nós, refiro-me às pessoas que, tal como eu, acreditam nos tão preciosos valores da liberdade de expressão, jornalística E artística), é mais do que certo que o mundo (em que nós estamos incluídos) se vira de pernas para o ar. Um atentado com este merece o luto da população mundial. 
Partilho a opinião de muitos quando digo que, independentemente dos valores religiosos que seguimos, independentemente do quão devotos somos às nossas crenças ou às nossas políticas de ação, não está nisso justificado o ato de matar. Roubar vidas a outros que, e isto é aquilo em que eu acredito, tal como eles se querem expressar. Manifestar o seu descontentamento com o país em que vivem. Demonstrar o seu desagrado de forma humorística, Partilhar com os seus leitores um outro lado da história. Inocentemente. Quer dizer, esta inocência só pode ser vista assim dependendo do ponto de vista que consideramos. Na minha opinião, é uma realidade, visto que se expressavam através de um jornal ilustrado. 
Com a simples não aceitação de uma bem elaborada e diferente opinião, morreram 12 pessoas inocentes (e um polícia, que suponho que nada tenha a ver com o assunto), de pé, como deveria ser. A defenderem os seus ideais. Até ao fim. 
Mas, como é claro, uma tragédia assim nunca vem só. A hipocrisia de oradores sem legitimidade (que, na minha pequenina opinião, pode ser considerada como uma tragédia. Não com o mesmo grau de gravidade, mas uma tragédia na mesma) alguma continua a preencher as redes sociais e os jornais dos últimos dias. Considere-se o que Rui Sinel de Cordes, um humorista que tem vindo a alargar os horizontes do humor, sem temer as reprovações do público ou d governo, proferiu, para apoiar este meu argumento:
Quase tão agoniante como o atentado de Paris, é ter passado um dia inteiro a ver e ouvir certos humoristas, produtores, directores de programação, editores criativos e outros agentes artísticos a dizerem que ‘são o Charlie’. Humoristas que afirmam que gostam de humor negro mas que fazem outro porque dizem que dá mais dinheiro e menos problemas. Produtores que estão ao serviço de grandes marcas e censuram estilos e temáticas. Directores que me dizem que gostam de mim mas que não me podem contratar por temerem as reacções do público acéfalo. Editores criativos que me pedem humor ‘que não ofenda ninguém’. E outros agentes artísticos que bloqueiam a minha entrada em salas de Teatro e de outros colegas como eu, porque o nosso 'stand-up' não é 'clean'.

Pergunto-me agora, se, realmente, todos somos Charlie, ou apenas o dizemos para dar a ideia que estamos todos juntos sendo que, no momento da verdade, não faríamos os possíveis para lutar contra uma repetição desta tragédia.
A Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa juntou-se à capital do nosso país e a quase todas as restantes capitais da europa na condenação deste atentado terrorista. Vamos lá ver o que acontece agora.
Para finalizar, uma pequena grande e composta pergunta que encerra este post: não deveríamos nós, população global, ter evoluído? Não deveríamos nós viver num mundo em que a liberdade de expressão impera? Estamos no século XXI...

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