O artista e autor desta exposição, Grayson Perry, que posa em frente a um dos trabalhos expostos numa das paredes da instalação. Esta exibição pretende mostrar a identidade e as narrativas da vida de personalidades importantes.
Usualmente, como seres humanos que somos, sentimos que somos a mesma pessoa de há anos atrás, mas a verdade é que não. O que sentimos acerca de nós parece constante, mas a nossa identidade é uma performance contínua que se vê obrigada a adaptar-se às circunstâncias.
Como sujeitos, o autor escolheu indivíduos, famílias ou grupos que de alguma maneira representam facetas importantes na natureza da nossa identidade. Ora mudaram a religião, ora perderam capacidades físicas ou mentais, ou até estatuto social. Pertencem a um grupo que espera que o público olhe para eles de maneira diferente. Todos mostram negociações em que todos estamos envolvidos, consciente ou inconscientemente, em volta de quem consideramos que somos e como somos vistos.
Para a maioria de nós, durante a maior parte do tempo, a nossa identidade trabalha para nós para que não nos questionemos de quem somos realmente. Mas é quando é posta em causa, ou sob uma ameaça é que nos apercebemos do quão vital a nossa identidade é.
Mas será que nós sabemos realmente quem somos? Eu tenho uma perceção de mim. Mas essa perceção pode não ir de encontro à ideia que um outro tem de mim. Vejo coisas que outros não vêem. Outros vêem coisas que eu não vejo. Tudo isto contribui para o crescimento da história da Humanidade, para o aperfeiçoamento das imperfeições do ser humano. No fundo, a identidade de cada um deve ser protegida e guardada, mas devemos ser os outcasts que somos? Deveremos então não ter medo de mostrar ao mundo que formos, de certa forma, em certa altura da nossa vida, marginalizados? Que tipo de identidade mostramos ao mundo? A nossa verdadeira ou a que pretendemos apenas mostrar? E deixaríamos que nos retratassem numa exibição?
De Sam Walsh, Mike's Brother, 1964
Um (pedaço do) retrato de Sir Paul McCartney, famoso escritor de música e membro da banda The Beatles que o autor, ironicamente, denomina de O irmão de Mike (traduzido à letra, do nome original Mike´s Brother), dado que o artista era amigo de Mike McCartney, irmão de Paul.

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