O Bairro do Arco do Cego I

By | 22:19 1 comment
"Hoje fui ao arco do cego. ainda me pergunto, e irei investigar, o que está na origem deste nome. parando para pensar.. Arco do cego? será que lá morava um senhor conhecido por todos e que não tinha visão? Deixarei esta reflexão para outro momento., depois de investigar o assunto.
Saída do metro diretamente para o chamado jardim do Arco do Cego. Já lá tinha ido várias vezes, é um local de que guardo boas memórias das que ficam depois de tardes intermináveis de copo na mão. Os universitários reúnem-se em grandes grupos, abunda no ar o cheiro a cerveja e não só. É um local de convívio, de descanso, de uma pausa após um dia longo mas que secalhar não foi assim tão cansativo. Eles lá sabem. Sentam-se na relva, nos muros, nas esplanadas ou simplesmente se mantêm de pé. São colegas e provavelmente bons amigos. Eu a trabalhar e eles a beber.
Seguimos em direção ao bairro propriamente dito. Passámos por um café, provavelmente o local com mais afluência naquele loca a seguir à escola. As ruas estão organizadas numa malha ortogonal que resulta numa planta com ruas perpendiculares umas às outras. As habitações são pequenos prédios de 3 ou 4 andares na zona mais central, e vivendas de 2 andares fora da rua principal. Estes prédios referidos são muitas vezes pintados de cor de rosa enquanto as vivendas tomam diversas cores nas suas fachadas, desde brancos a azuis ou até amarelos. 
O liceu D. Filipa de Lencastre é o coração do bairro. As crianças e os jovens estão no pátio da escola durante o intervalo, mas este pátio é muito peculiar porque não tem qualquer delimitação, é uma parte integrante do bairro e não necessariamente exclusiva do liceu. Percorremos as ruelas dentro do bairro e deixámo-nos fascinar pela simplicidade dos edifícios e pela irregularidade dos pavimentos, pela solidão e abandono que o bairro transmite se não fossem os gritos de crianças que se ouvem ao fundo. Como se durante o dia toda a gente abandonasse aquele sítio para apenas regressar ao fim de um dia de trabalho exaustivo. 
Descemos até à Igreja São João de Deus, que  apesar de ser já no limiar, acolhe o bairro do Arco do Cego. Lá falámos com a D. Olga, que trabalha no cartório da igreja e rapidamente se disponibilizou a ajudar-nos. Acabou por ser uma ajuda mútua e fomos imensamente questionadas sobre aspetos relativos ao nosso curso e a faculdade, uma vez que a sua filha se candidatará no início do próximo ano letivo. A D. Olga providenciou-nos de um contacto e em breve agendaremos um dia para falar com vários responsáveis da Igreja de modo a perceber melhor a vivência paroquial dentro do bairro. Certamente que, uma vez que esta igreja se encontra perto de vários bairros, é possível que seja um local “multibairral” se é que posso inventar esta palavra. 
De volta ao centro do bairro, procurámos o arquivo da câmara municipal, embora não o tenhamos encontrado à primeira. E que sorte!
Vimos um casal já de idade avançada, a quem perguntamos se sabiam o local que procurávamos. Depois de dois dedos de conversa viemos a saber que o Sr. Zé era não só o fundador e um dos presidentes da escola de artes nas caldas da rainha, mas ainda o introdutor de cursos de design em diversos politécnicos do país! Sabemos onde é a sua casa por isso proximamente irão ter uma visita inesperada nossa!
Já no arquivo…Que mundo! O funcionário foi impecável connosco, disponibilizou-nos vários livros, mapas, projetos, plantas e até um microfilme. Claro que clandestinamente fotografamos inúmeros destes documentos. É realmente incrível, tantos anos de história, tanta riqueza da nossa cidade ali fechada dentro de quatro paredes a apanhar pó.. 
Almoçámos num café/restaurante perto do Largo do Leão, cujas empregadas não eram muito acolhedoras mas entre si só falavam de “fofocas” da cabeleireira, da amiga, do primo e do tio das outras. Algo me diz que sabem todos os segredos e rumores do bairro!
Passando pelo IST regressámos. Voltarei muito em breve." palavras de Sofia Grilo, que resumem a visita do grupo até ao bairro em questão.












(No arquivo municipal de Lisboa, encontrámos plantas e documentação antigas acerca da planificação do bairro do Arco do Cego, considerado o 1º bairro social de Lisboa.)










Mensagem mais recente Mensagem antiga Página inicial

1 comentário:

  1. os registos que já tem do bairro e os primeiros contactos são promissores. as fotografias que apresentam não vos dispensam dos desenhos e dos filmes. e da sua apresentação, aqui e no que virá a ser o dossier de pesquisa. e com tanto material cartográfico e de plantas, seria altura de começar a mostrar o que estão a fazer com ele.

    ResponderEliminar