O teu corpo é o meu corpo

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«O que caracteriza as artes gráficas atualmente é que elas são veículo direto, senão instrumento, de uma nova síntese. Antes de mais nada: síntese das mais diversas linhas de progresso. Que elas evoluam como forma ao serviço de um conteúdo “comercial”, num contexto dominado pelo investimento de capitais e pela febre do rendimento, isso não lhes retira a vocação mais íntima, a vocação a um conteúdo humano de “liberdade”, e onde a contradição entre o individual e o coletivo tenha ultrapassado a sua agudeza atual. São assim um dos mais ricos terrenos de encontro do progresso da tecnocracia, com a mais progressiva democracia. Encontro que as contradições do mundo atual demoram, mas que, provavelmente não deixará de verificar-se. Somente que a urgência é nossa…» Ernesto de Sousa














A exposição (temporária) "Your body is my body - o teu corpo é o meu corpo" apresenta uma coleção de cerca de 300 cartazes, datados entre 1933 e 88, elaborados por Ernesto de Sousa, que englobam as temáticas da arte, do teatro e da política.
Ernesto de Sousa nasceu a 18 de abril de 1921, em Lisboa e dedicou-se muito ao estudo da fotografia e da arte, apesar de ter seguido o curso de fisico-químicas na Faculdade de Ciências de Lisboa. Foi crítico, artista, poeta, cineasta, curador e agitador cultural. Desenvolveu uma particular adoração ao cartaz, pelo que explorou infinitamente as artes gráficas, defendendo-as, também. A sua produção inclui escultura medieval, arte tradicional e popular, retratos urbanos e estudos etnográficos.
A coleção de cartazes de Ernesto de Sousa funciona como um uma viagem temporal nas neovanguardas de Portugal e Europa, conseguindo também transmitir a personalidade do autor através das suas criações, destacando o seu caráter multidisciplinar. Os cartazes apresentam temáticas variadas, desde o Movimento das Forças Armadas e o sentido de revolução, ao cartaz de teatro ou até trabalhos de parceria com Helena Almeida.
Na minha opinião, esta exposição está mesmo muito bem conseguida, a seleção dos cartazes expostos é excelente, e mostra perfeitamente a evolução do trabalho e o talento do artista. É, com certeza, uma boa inspiração para a concepção do trabalho proposto, de arte gráfica, para a cadeira de DC I.
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