ACT #7 - Aprender a fazer
Querendo contar ao mundo as histórias escondidas que lugares do mundo escondem, sendo que quem as vai receber e absorver não as viveu, não há melhor maneira para o fazer se não construir um documentário que as explique, que mostre ao espectador tudo o necessário para a melhor compreensão dos lugares.
Em Ruínas, de Manuel Mozos, são-nos mostrados restos do passado, vestígios de espaços que foram modificados com o tempo, através de imagens lentas e voice overs relatando histórias relativas aos lugares perdidos. Os sons do vento, do restaurante, e mesmo o das vozes trazem sensações de esquecimento e abandono, que se encontram naqueles lugares memórias e recordações perdidas, e tornam o filme muito mais. Em Fantasia Lusitana, de João Canijo, o som é um elemento de extrema importância, pelo que o filme retrata o olhar do povo português em relação à segunda guerra mundial, o Estado Novo e a presença de estrangeiros e fugitivos da guerra no país. As variadas imagens, a preto e branco, são complementadas pelas músicas tradicionais, pelos relatos, pelas vozes da rádio, que têm um peso extraordinário na conceção do filme, pelo que sem a banda sonora o filme, a meu ver, não era explícito o suficiente, retratando o que retrata. Paradoxalmente, em Berlim, de Walter Ruttmann, o som é um elemento totalmente dispensável, pelo que as imagens que nos são apresentadas nos remetem a todo e qualquer tipo de som, seja o trote dos cavalos nas ruas, ou mesmo o som do comboio, do caminhar das pessoas, os sons da cozinha... A nível de cor, este filme também apresenta vídeos a preto e branco, dado que foi lançado em 1927, e pretende tratar a vida diária da humanidade na altura.
Após o visionamento destes três filmes, foram abertos os horizontes no que toca à produção e à realização do filme que foi proposto, sendo que as hipóteses e o número de escolhas de como mostrar 24 horas no bairro, como assim é pretendido. No entanto, o nível de dificuldade também se levantou, pois sinto agora uma pressão diferente em conseguir mostrar ao espectador e fazê-lo sentir o bairro, como eu e o meu grupo o temos sentido, sendo que é necessário dar especial atenção à banda sonora e ao género de imagem que pretendemos transmitir, pois depende muito de uma perspetiva mais pessoal e não-panorâmica do bairro.

"Os sons do vento, do restaurante, e mesmo o das vozes trazem sensações de esquecimento e abandono, que se encontram naqueles lugares memórias e recordações perdidas, e tornam o filme muito mais." quê?
ResponderEliminar"A nível de cor, este filme também apresenta vídeos a preto e branco, dado que foi lançado em 1927, e pretende tratar a vida diária da humanidade na altura." . não havia vídeos nesta altura e o cinema a cores ainda estava pouco vulgarizado. a vida diária da humanidade resumida à cidade de berlin é uma forma um pouco redutora de tratar o assunto...
de resto percebe-se a intensionalidade da tua leitura e das apreensões que apresentas. espera-se que tenhas também aprendido com os filmes.