Quieto. Passivo. Calmo. Demasiado. Nada se passa.
Assim tem sido a nossa forma de descrever o bairro do Arco do Cego. É um bairro pacato, uma aldeia dentro da cidade. Um bairro que se deixou adormecer, tendo um passado tão rico. Um bairro que se conformou com a inexistência de atividade, de movimento, de vida, de dinamismo. “O bairro é uma merda”, ouvimos dizer várias vezes.
Assim, mostrámos o nosso descontentamento. Durante as nossas visitas ao bairro questionámos, tentámos saber o porquê desta passividade. Passado.
Agora pretendemos acordar este local. Despertar, provocar, até desestabilizar. Agir, mexer, agitar, transformar, comunicar. Dar a conhecer. Presente.
Mais tarde esperamos que a nossa voz tenha efeito. Esperamos deixar uma marca, queremos que a nossa ação não seja esquecida, não seja em vão. Pretendemos deixar a nossa ideia vinculada e fazer com que as pessoas se questionem e ambicionem mudança.
A partir destas intenções, construímos os 10 postulados para o nosso Manifesto:
0 - Queremos ACORDAR o bairro.
1 - Nós somos contra o conformismo, a comodidade e o silêncio instalado no bairro. Queremos destruir a inércia e a quietude que dominam este dormitório no meio da capital.
2 - Acreditamos no movimento, na transformação que traz o convívio, na companhia e na cor, não só nas casas mas na alma de cada morador.
3 - Pretendemos DESPERTAR PARA A ACÇÃO
4 - Queremos mediatizar o bairro, ou seja, dar a conhecê-lo.
5 - A iniciativa e a criatividade podem realmente fazer a diferença dentro do bairro.
6 - É preciso abolir a negação
dos sentidos: a falta de ruído, de comunicação, de velocidade, de observação atenta, de pensamento de um futuro melhor.
7 - Queremos MANTER O MOVIMENTO
8 - É preciso fundir as ideias, através
do seu espírito de rebelião e revolta. O bairro pode sair da sua condição de aldeia sombria que evidencia o abandono, a solidão e o esquecimento.
9 - É essencial ter um olhar que questione, que procura, que descubra a verdadeira essência das coisas.
10- O bairro tem capacidade para mudar, para se tornar mais ativo e para sugerir
aos moradores uma insatisfação perante a realidade e uma procura de uma sociedade melhor.
Depois de planear, elaboramos o cartaz A1 que traduz o nosso manifesto de grupo. Baseamo-nos no movimento Dadaísta na medida da confusão, do “sem sentido”, da desorganização organizada.




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