Um cozinheiro, um ladrão e a sua mulher. E depois o amante dela. Um título como este fornece-nos automaticamente quase 70% da informação de um filme dos anos 80 (isto para quem, como eu, seja grande apreciador da cultura cinematográfica de décadas anteriores à nossa). Está visto que o filme acaba de uma maneira épica, constrangedora, violenta. aliás, ao longo do filme são inúmeros os momentos em que nos é apresentada uma cena explícita. Tanto quando ocorre uma envolvência entre a mulher do ladrão (Helen Mirren, a representar Georgina, a mulher do ladrão Albert, representado por Michael Gambon) e o seu amante (Michael, o disfarce do ator Alan Howard), como no ato de remoção de penas de um pato na cozinha por parte do cozinheiro (Richard, por Richard Bohringer). E, claro está, todas as ações de violência e abuso por parte do ladrão, estão explicitamente representadas no filme.
Em relação ao filme, o que posso dizer é que fiquei, de facto, surpreendida com o mesmo. Chocada, até. Mas claro, não poderei falhar no que toca em admitir que, de certa forma, o enredo do filme está bem conseguido. Sim, é violento, e é constituído por várias cenas demasiado explícitas e agressivas, mas também é verdade que no mesmo podemos encontrar beleza (como por exemplo a banda sonora - a voz da criança, Paul Russell, está espantosa e muito bem enquadrada na história e nas cenas em que é apresentada). As cores do salão do restaurante, do quarto-de-banho, e da cozinha estão igualmente bem representadas. O branco nas toilettes, para contrariar o pecado do adultério, e o vermelho na sala de jantar, que reforça a violência e o sangue derramado pelos pobres coitados que se atravessam no caminho de Albert. A cozinha, obviamente, tem as suas cores naturais, dada a diversidade de elementos vegetais e não só.
Adicionalmente, neste elemento cinematográfico, é feita uma alusão ao prato “Pato com Laranja”, que remete de imediato para um dos temas que nos foi proposto para trabalhar. É dito no filme, e, com isso, o pato é elevado a uma categoria mais elevada, que o prato é uma obra de arte. Porquê uma obra de arte? É-nos dito que a razão passa por, pato e laranja, ser uma combinação improvável, feita pelo agente da cozinha inteligente. De facto, existe um contraste de sabores na junção dos dois elementos. Tal como existe um enormíssimo contraste de emoções por parte do espectador, ao ver o filme. Tanto sentimos náusea (especialmente na cena em que Albert comete mais um homicídio, no caso de Michael, com as páginas do seu livro favorito na sua garganta, ou na última cena, quando Albert tem que comer carne humana), como sentimos misericórdia e pena (quando Pup está no hospital), como sentimos raiva (com todas as explosões de Albert), ect.
Por fim, e uma pequena curiosidade que remete para o projeto que acima referi: em vários dos menus é feita uma alusão ao pato, como prato à escolha (por exemplo: Paté de Canard Sauvages aux Fois Gras au Croûte).


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