Prova de Contacto Sensorial: O Pato Nu

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Pato com Laranja (assado no forno): 
"O pato é temperado com sal e pimenta branca e vai ao forno inteiro, recheado com laranjas grosseiramente cortadas e regado com muito sumo de laranja. Durante todo o tempo que estiver no forno tem de ser regado com os sucos da assadeira e rodado para ficar uniformemente torrado. O delicioso molho que daí resulta é apenas a gordura do pato e o sumo de laranja, pois ele não leva adição de nenhuma outra gordura. Este processo lento e cuidadoso resulta numa carne tenra, suculenta e com um agradável sabor que é uma mistura de caramelização da gordura do pato com a acidez da laranja.
     Para acompanhar um xarém com coentros, um prato típico algarvio que consiste em farinha de milho demolhada e depois cozinhada em azeite onde fritou um pouco de alho e polvilhada com coentros. Uma salada fresca de alface e umas batatas fritas cortadas às rodelas muito estaladiças."



Da mesma maneira que foi sentida a laranja, foi-nos pedido que explorássemos um pato, morto, cru, saído do talho. E assim foi feito. Para que as despesas não se tornassem avultadas, decidimos juntar-nos num grupo e partilhar não só a tal despesa mas como também o nojo, a euforia, e a experiência. É certo que tão cedo não nos esqueceremos de como estabelecemos uma relação com a criatura sem vida, no centro da nossa mesa.
Após ser recusado dar nome ao bicho, descobrimos que desembrulhar carne que deseja entrar no estado de putrefação não é, de todo, uma experiência agradável. O cheiro foi, com quase toda a certeza, o que mais custou e enojou no desenrolar do trabalho, até porque à imagem do pato falecido uma pessoa consegue-se habituar. Quando tem que ser, tem que ser, portanto os desenhos nem se tornaram complicados de fazer, porque deixou de custar olhar para o animal na travessa. E a curiosidade não abandonou a mesa! A carne do pato tem uma textura viscosa e mole, de estar crua, e fria. Como se vê no registo fotográfico que apresentei, nas costas do pato, há uma trama, que torna a carne áspera. É facílima de cortar, porém. 
Apesar do nojo, e daquele cheiro horrível, que dava vontade de atirar a carne pela varanda, foi uma experiência divertidíssima. Explorei/explorámos todas um plano de atividade novo, visto que nenhuma de nós está acostumada a ver os patos com os olhos que os vemos agora. Atrevo-me a dizer que começo a conhecer a espécie dos patos melhor do que gostaria. Ainda faz impressão. Resta agora dedicar tempo na cozinha a tornar toda aquela carne comestível e saborosa. 
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