"To speak of things and try to understand their nature and, having understood it, to try slowly and humbly and constantly to express, to press out again, from the gross earth or what it brings forth, from sound and soul, an image of the beauty we have come to understand - that is art."
O Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce, um romancista e poeta irlandês.
A interessante perspetiva de James Joyce refletida no seu personagem ao longo de toda a obra criou um livro de grande influência na minha cabeça.
"A Portrait of the Artist as a Young Man" conta-nos a história de um rapaz irlandês, em finais do século XIX que decide isolar-se para se poder dedicar inteira e unicamente à arte da escrita, afastando, para isso, a sua família, a sua vida social e a sua religião. Tornou-se, por vontade própria, um verdadeiro outcast, na minha opinião. Após uma série de eventos, como a sua experiência com uma prostituta, a indecisão entre se dedicar fielmente ou não à religião, a queda nas tentações, e uma oferta (após pensamento) recusada por entrar numa escola de padres - justificando-se, esta decisão, com a incompatibilidade em relação ao seu apreço pela sensualidade, Stephen Dedalus, o protaginista, decide começar a viver a sua vida ao máximo, ignorando então todos os aspetos da sua vida que sentia que o estavam a prender. Decide que não se deixará constringir por valores pelos quais tinha vivido até então, fossem religiosos, familiares ou até políticos. Após a sua aceitação, o personagem muda-se para a universidade, onde, posso dizer, levou uma vida, finalmente, realmente boa. Arranjou uma série de amigos, em especial um rapaz chamado Cranly e começou a pensar e desenvolver as suas teorias sobre a arte.
É verdade que começou a considerar imprescindível a presença dos seus amigos como público, ouvintes, e viu-se quase que obrigado a criar uma existência paralela, independente, que se afastasse por completo de toda e qualquer opinião que não a sua única. Com isto, consegue libertar-se das pressões do mundo, esperando um dia poder fugir da Irlanda e dar asas à sua vida enquanto artista e apenas sobrevoar o mundo, ultrapassando todos os limites e obstáculos que uma vida agarrada à arte traz.
Esta obra explora, sem dúvida, o que significa aspirar-se a ser um artista. O desfecho da história (em cima referido) sugere que o autor vê um artista como um lobo solitário, pelo que para se poder manifestar em paz, tem que abandonar o seu mundo, a sua vida antiga e desenvolver uma nova. Porém, apesar da sua solidão, o que o artista deste livro realmente pretende, a meu ver, é fazer perceber que o país onde cresceu, os seus costumes e maneiras de ver o mundo serão sempre o que moldou a sua identidade, a sua maneira de ser. Isto é, apesar de tudo, Stephen de certa forma sente-se agradecido por ser quem é, acreditando no que acredita e por ser capaz de tomar as decisões que tomou.

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