"Feel free to enter my world"
O propósito da escolha da romã para este trabalho, passa pelo meu traço de personalidade, que consiste na incapacidade de avançar sem conhecer um pouco mais do que o normal, sobre o que me apresentam. A verdade é que eu pouco ou nada sabia sobre a romã. Daí ter considerado a sua escolha, um desafio mais interessante e apelativo do que propriamente a escolha de um fruto que já fazia parte da minha vida há largos anos.
Para mim, uma das fases mais importantes do processo do conhecimento de alguma coisa (comestível, mais propriamente) e o levar dessa mesma "coisa" ao patamar de cada um dos 5 sentidos que todos nós possuímos. Foi sob esta ideia que nasceu a minha proposta para a instalação da Fase 3 - A Laranja Mecânica.
A minha instalação apresenta uma forte e evidente influência do clássico Alice no País das Maravilhas, pelo que o objetivo da mesma é levar o espetador a conhecer um espaço confinado, em que o que apresento lá dentro revela ter dimensões que diferem daquelas a que estamos todos habituados. Isto relaciona-se, de certo modo, com a minha vida, até este ano. Durante 18 anos, vivi numa cidade em que, por mais que o que me envolvia me quisesse fazer acreditar que podia, nunca na verdade pude ser o espírito livre que sempre precisei. Por milhões de motivos, nunca me pude expressar realmente. Ora, os meus primeiros 18 anos de vida, quando confrontados com este primeiro semestre, por mais estranho que isto pareça, formam uma antítese tal, que parece que mudei de mundo. Aqui, quase que obrigam o meu espírito a libertar-se. Deste modo, compreenda-se que o espaço confinado onde se encontra a minha instalação pode ter, subentendidamente, uma forte relação com a minha vida até hoje.
Num nível mais conceptual e abstrato, a minha romã está presa (tal como eu estive), num espaço fechado, sem oportunidade de se libertar, pelo que, a única maneira de o fazer, será através do contacto com o público, que a visita (através dos 5 sentidos).
Posto isto, passo a explicar em que consistirá a minha instalação. Coloque-se um espetador comum, em frente a uma porta pequena demais para ser possível a sua entrada. Do seu lado direito, está uma base que tem, no topo, um perfume à base da essência do sumo da romã (que eu própria criarei) - contacto olfativo com o fruto, e o objetivo é o espetador, com o spray, "molhar" um cartão e cheirar. Isto provoca o simulacro da diminuição de tamanho do espetador. Concluída esta fase, o indivíduo poderá então avançar, e entrar pela porta, cuja maçaneta será uma romã verdadeira - contato tátil, numa espécie de cofre, ou gaveta, que guarda uma série de objetos que, por sua vez, dão a conhecer o fruto em questão: a romã. Dentro do espaço confinado, estarão presentes representações, a uma escala maior que o normal, da romã, uma recriação de um quadro, que evidenciará o contato visual com o fruto em questão. A isto, acrescento a representação de um leitor de música moderno, que trará para o real sons que ilustrem a romã. Após entrar em contato com estes sentidos, o espetador está pronto para saír. Lembro que, dentro da instalação, o espetador está reduzido a um tamanho inferior ao seu e, a única maneira de voltar ao normal é ao ingerir - contato gustativo, o conteúdo (sementes - parte comestível do fruto) de um recipiente, cá fora apresentado, concluindo assim, o processo do conhecimento do fruto, através dos 5 sentidos, e, consequentemente, permitindo a libertação da romã do espaço confinado, visto que estará presente dentro de uma nova mente, de um novo mundo - o do espetador.
Para finalizar esta sinopse, seegue o esquema/primeiro desenho da instalação:
já se adiantou mais alguma coisa que não vejo aqui...
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