Amarcord é uma das mais fascinantes histórias escritas do grandioso Fellini. É uma espécie de comédia que mostra, sob os olhos de uma das personagens, a história dos anos 30 (era do fascismo), tanto ao nível do quotidiano como ao nível da religião e da política.
Um aspeto fascinante do Amarcord é que todo o desenrolar da ação consiste numa busca quase doentia de fugir e ao mesmo tempo capturar a realidade, este filme leva-nos a pensar sobre a própria vida que levamos (o que vai de encontro à intenção de Fellini com este filme), embarcando em sonhos de outros mundos e fazendo com que o mesmo seja uma obra-prima extremamente interessante e inesquecível.
Do mesmo interesse é a crítica subentendida ao regime fascista de Mussolini, presente na sequência do filme que mostra a educação da época, em que a ordem e a disciplina dos jovens eram iperativas, e incutidas abruptamente e quase que paranoicamente. Essa crítica está também presente na cena em que o pai da personagem principal Titta é torturado e interrogado por tocar uma música proibida.
Relacionando o filme com o projeto 3, não vejo alguma relação a não ser a intenção de contrariedade em relação à falta de convívio, ou a sua proibição. No bairro do Arco do Cego, a apatia e a falta de alegria são como que tatuagens que (sendo permanentes) marcaram os seu habitantes de tal modo que já não conhecem mais nada. Ora, com esta última e derradeira fase do projeto citylab, o meu grupo de trabalho (comigo incluída) não pretende mais nada se não contrariar à bruta (sim, à bruta) este silêncio tão taciturno e, ao mesmo tempo, tão desesperante.


0 comentários: